terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Esvaindo

Skool daze - Paul Brown


Algo  se perdeu no cam nho
D s átomos que um d a fui
Não me s bram nem mes o um
O que me co stituia, fazia-se pleno
N  entanto ag ra me perco s reno
Simpl smente nã  sei quem e a ou
Quem s u; qual camin o seguir
Ou o qu  rec perar do q e sobr u
Sinto-m  esv indo, sem dei ar traç
Logo ser i po co, um des mbar ço
Men s d  q e  s u, me os do que fu
V z u, sem s bstâ cia, s m pal vr s
P rdi o no q   nu ca f i, e no q e n o ser i
At  ão  s r ma s n d
S  é  u   m d  a f  i

.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Adição

Temples #2 - Robert Gaudette
Acredito existirem céus;
As vezes vendes me visitar
Quando não sou eu que vos procuro
Encontrando-os em vosso olhar
Atroz é ter de lidar posteriormente
Com os infernos aquém e além

A noção obscura que há,
Assim como o exagero,
Do mau do mundo e de mim mesmo

Tal como a melhor das drogas,
Me afasteis de meus círculos internos
Com vossa estada paradisíaca

Insólita presença, qual absoluta
Pois sois muito mais que uma
Ainda mais quando a mim vos una
Na totalidade de aspectos
Me inunda

Uma certeza me assola
Que de tão sublime consonância
Perdê-la-ei sem azo revindo

Se faz ser pelo viés da ilusão
Mas não me importo, ou tento
Aprecio a poesia do momento

Apenas me contemple
Noutra dose das brandas
De vosso viciante sorriso
Aceita comigo minhas sombras
E vendes com elas dançar

.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Breve

"Forgetting Is the Only Continuum"- David Regen; foto por Mel Bochner's,  Gladstone Gallery

Decidi escrever para ti
Que nunca fora poema
Já evitando a dúvida:
Não lhe é por pena

Sendo assim, por respeito

Acalma, criança
A dor que lhe pesa o peito
Acalma tuas expectativas
Pois são de tua autoria

Acalma, criança
Tuas ânsias imaginativas
Não transformes brevidade
No martírio de uma vida

Aceita, criança
Que a metafísica de teu mundo
É puramente tua, e some
Se quiseres; em um segundo

Aceita, criança
O futuro que lhe espera
Abandonando o cadáver natimorto
Nunca fora; seja contigo sincera
Senão o que querias que fosse

 Não cries âncoras em penas
Fora leve por traço do destino
Sem promessas ou compromissos

Se lhe negam o que ofereces
Não conseguirás o mesmo efeito
Atirando-lhes os pedaços
Persistindo no que não tem jeito

As vezes nos entregamos 
Ao que gostaríamos que fosse
Sem enxergar tudo o que não foi
Sobrando amargor, contanto fora doce

Então acalma
Não atires pedras no espelho
Por ouvires mentiras de si mesma

Então aceite
Porque o mundo é um moinho
E nas voltas da incertezas
Terás novamente os pés no chão

Te desejo então, criança
Que encontre nos versos que diz
Novos encantos; Algo que,
Conquanto
Esquecendo o passado
Abandonando teu pranto
A faça feliz

 .

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Sabores

Original: Sushi Mermaid, por Roberta Oriano 

Sempre tive gosto pela culinária japonesa
Porém teu sabor ampliou meu paladar
Despertou-me sensações jamais sentidas

É de toda completa, deveras equilibrada
De apreço estético na apresentação
Leve de se provar, com suave crocância

Tuas poucas palavras são al dente
Recheadas com emulsão de sinceridade
Acompanhadas de suculentos beijos
Temperado nos mais belos toques

Poderia apostar que jogaram a receita fora
Absolutamente única em sua composição
No encontro de nossos paladares
Harmonizamos perfeitamente

.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Azedume




No dia que entreguei meu coração
Mostrei meus dentes afiados
Não se deve dar um presente
Com receios amargos

 Ao invés de um doce sorriso
Errei por deixar um tom azedo
Contradizendo meu próprio sentir
Me entregando de súbito ao medo

 O sorriso que me encanta
Roubei sem o menor zelo
Comportamento que me espanta
Não pretendendo voltar fazê-lo

 A covardia nos transforma
Nos faz correr riscos sem benefícios
Corrompendo a forma sem sacrifícios

 Por entre os rabiscos desse paraíso
Quase acabei com o encanto
Porém uma coisa garanto
Com minhas dúvidas, terei mais juízo

Já não só acho
E sei que é tanto

.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Têmpera

Embrace Impermanence - The Pier Group (for Burning Man festival)


Só a paixão para tal
de tão rígido
converto-me em líquido
metal abrasado
por tua incandescência

Quero ser
o que tu desejares
dentro daquilo que
já sou

Não, não mudo
por nada, por tudo
mas sou muitos
muitas palavras

Me compres
e escolha o produto
que mais lhe agrada
no mercado de minhas
complexidades

Entre meios
sou caminhos

potencialidades
sou escolhas

maquiavelicamente
tendo a ti
como fins

pois
Tu justificas
tudo aquilo
que posso ser

Minha desculpa perfeita
meu combustível ideal


.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Disruptura

Feeling Material - Antony Gormley 


Momento catártico, libertação,
No voo, no vou, apesar do fui
sangria que é a alma.
Se é que há'uma

Quando já não nos importamos
com nossa própria estranheza
perante nós mesmos. O mesmo.
Mergulho sem fim
enfim

Mais bela âncora de chumbo
Adentramos uma nova atmosfera
acelerando segundo por segundo
Estrela cadente
ardendo na chama da vontade;
à vontade

Transformamo-nos
ainda mais singulares
em uma cadência vibrante
até alcançarmos
a verdadeira essência;
Insistência

Num distanciamento
da realidade em cimento
nos coroamos mais reais
do que as ilusões de realidades
mais verdadeiras.

Peculiares;
Perdemos o tato com os códigos,
sujando as mãos com o construto
de uma nova codificação.

Do alto da montanha, somos lunáticos
dançando ao ritmo de uma música
que ninguém mais houve
até que os façamos ouvir
para que se faça haver

entre o autêntico e o louco
Assumindo sua inexistência
do que fora, de fora;
o que virá a ser,
de nosso
ser

Eterna prática
de uma existência
essa ciência
poética
para além das próprias
fronteiras

há quem?

para aquém

de si?

.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Crime Passional

Kiss dont kill - Banksy


Antes fosse
Roubo
Mas foi assalto
A mão
Amada

Era se entregar
Ou morrer arrependido

Foi golpe,
Armadilha.
Prometeu sorrisos
Acabou por me tirar
Até os beijos

Me deixou sem nada.
Fazendo tudo
Na maior calma
E ainda vandalizou
Pixou seu nome
Em minha alma


.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Idiossincrasia humana


amar faz todo sentido

sentir

por que,
me sinto verdadeiro
na mAis ardilosa mentira?
não há transparência maior
que o cinisMo
as maiores falsidades
são: educação e bondade
não choramos por sentir
mas pAra que não saibam
que não sentimos
persistimos disfaRçando
verdades que ambos sabemos
amenizando as dores do jogo
organizando o caos
caos
pintando o ruído
com sons aritmÉticos, éticos
nessa lúdiCa guerra de realidades
todos sabem a verdade
ignorância nada mais é
que o deliberadO ato
de ignorá-la
nos iMpor através de inverdades
a hipocirisia é um dos mais belos
atos de humanidadE
assumí-la, quebra toda a magia
então eu minto
minto que sou hipócRita
sendo o mais honesto
em minha hipoCrisia
entende?
não
não estou ficando louco
talvez você que delire
com o conceitO de sanidade
arranhe a luz para se fazer ouvir
de som opaCo e nenhuma textura
sem os sabores brilhantes
ou o cheiro do sol
nesse quarto vazio
ecÔo
acolchoado pelo colo dos anjos
não ouve as vozes
não percebe os gritos
não vê as sombras
na verdade você nem existe

já te falei sobre a verdade?


.

terça-feira, 10 de março de 2015

Leviatã


não quero, de modo algum
aquilo que é teu
mas me dói
não chegar nem perto
do que te sobra
quem dera ficasse
nem que fosse com os
restos

as vezes me consome
não entender
porque não mereço

o que me faz insuficiente
não o bastante
incompetente

antes fosse
só a migalha do pão
vejo farelo por toda parte
de corações

lhe sobram oportunidades
materiais
afetivas
as significativas

ainda assim
me dignifico a dar-lhe
tudo aquilo que me falta
sem ter sequer esperança
de algo em troca

meus olhos erguem-se
e vejo uma longa cadeia
acima de ti, olhas
para outros
com olhos tão verdes
quanto os meus

então me vêm a consciência
de que abaixo
há um mar de olhos
a me fitar

.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Arte em pó



Por vezes é estúpido
investir tempo em poesia

Como carpideiras da vida
que ignoram
a própria entropia

Como jogar perfume
na correnteza de um riacho
Um ato de insana beleza
e trágica efemeridade

Mas os poetas
são o inútil brilhar
de estrelas em um céu
onde a escuridão
sempre vence

.

quarta-feira, 4 de março de 2015

A Náusea

Great storm in the Downs by Frederick Whymper

Sartre foi sábio em assim definir tal conflito existencial. Esse enjoo de si mesmo, perda do tato e intelecto embrulhado. Uma maresia moral proveniente do balanço do mundo. Dos mundos, internos e externos. Eco de um âmago ulcerado, ainda não supurado. Vontade de se esvair em vômito o vazio que há dentro.
Talvez os caminhos da mente sejam traçados em mares revoltos, por naus que, quando sortudas, aportam e lá ficam. Vida em alto mar facilmente leva a ruína. Perda do norte. Naufrágio em seguida.
- Mas que ansiedade! É só o balanço do mar. Pior seria, se balanço não houvesse. De nada serve prumo, sem vento na vela.
- Este é o problema! Não o há; e esse balanço do mar, a nenhum lugar nos levará.
- Ao menos já passou a tempestade.
- Ou ainda está para chegar.

.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Escripta



Confeso
talvez o simplez
seja demaziado complicado
mudar por mudar
ou intervir no fato

confeso qe falo
ajo sem saber
e qem sabe?
mas só axo
qe devia ser
maiz fásil

se az palvraz fluisem
como se julga natural
deveriam então
ser diretaz
sem titubear

é lindo complicar
elitizmo ama dificuldade
poiz só com ela
pode se diferensiar

levantar a bandeira
do serto ou errado
quando não se pauta
na maiz pura lójica
se tem apenaz
uma arbitrariedade
do maiz simplez poder
o poder da linguajem

poder este
qe marjeia
a realidade
bloco por bloco
vogal por vogal
diresionando o olhar
construindo a persepsão

real é só aqilo do qual
não se pode fujir

todo resto
são códigoz

az pesoaz se perdem
naz impermanênsiaz

Talvez incomode, tentar mudar
pensam ser preguiça de aprenhender
ou pura perda de tempo
apenas mais um joguete

parecem nunca questionar
a realidade que lhes fora
montada
uma phorma de ver o mundo
que há muito o precede
pré-fabricada

assusta ver o mundo
por outra perspectiva
ainda mais
quando a construção da própria
fora assim, tão dolorida

Mal sabem que antes não era assim
a tão bela orthographia
num abysmo de desconhecimento
desse enorme paiz, Brazil

a esthetica graphica
fora por deveras differente
entretanto quem somos nós
para levar tal assunto
tão a sério

deixemos que a língua portugueza
siga e permaneça
esse eterno mysterio

.