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"Forgetting Is the Only Continuum"- David Regen; foto por Mel Bochner's, Gladstone Gallery |
Decidi escrever para ti
Que nunca fora poema
Já evitando a dúvida:
Não lhe é por pena
Sendo assim, por respeito
Acalma, criança
A dor que lhe pesa o peito
Acalma tuas expectativas
Pois são de tua autoria
Acalma, criança
Tuas ânsias imaginativas
Não transformes brevidade
No martírio de uma vida
Aceita, criança
Que a metafísica de teu mundo
É puramente tua, e some
Se quiseres; em um segundo
Aceita, criança
O futuro que lhe espera
Abandonando o cadáver natimorto
Nunca fora; seja contigo sincera
Senão o que querias que fosse
Não cries âncoras em penas
Fora leve por traço do destino
Sem promessas ou compromissos
Se lhe negam o que ofereces
Não conseguirás o mesmo efeito
Atirando-lhes os pedaços
Persistindo no que não tem jeito
As vezes nos entregamos
Ao que gostaríamos que fosse
Sem enxergar tudo o que não foi
Sobrando amargor, contanto fora doce
Então acalma
Não atires pedras no espelho
Por ouvires mentiras de si mesma
Então aceite
Porque o mundo é um moinho
E nas voltas das incertezas
Terás novamente os pés no chão
Te desejo então, criança
Que encontre nos versos que diz
Novos encantos; Algo que,
Conquanto
Esquecendo o passado
Abandonando teu pranto
A faça feliz
.