terça-feira, 29 de outubro de 2019
Transliteração
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
Calo
Mais um dia,
Nós dois em frente a tabacaria
Há uma morte de distância
O que aconteceu quando éramos iguais?
Você me traiu
E eu te abandonei
Dizem que não existe magia
Mano, eu vivo isso
Nem me venha com esse papo de Deus
Se não estiver disposto a esquecer tudo em que acredita
Precisa ser muito cético
Para alcançar meu trono
Sabe o que dizem
Meu nome é segredo
Porque hackearam meu código
Esse é meu legado
No princípio eram bits
Ying e Yang
E só a realidade é tal
Que pode se expressar por si
Sem deixar de ser
Real
É o alinhamento
Eu no ano de minha torre
Ganhar tudo pode ser a maior perda
Em meu aniversário, perdi meu maior sonho
E em meu maior esforço
Desgastei minha meta
Caleijei meu falo
Nessa felação com a realidade
Não sobrou sensibilidade
Senão o verbo
E isso foi o começo
Da minha insanidade
Da mais pura arte
É o que nos sobra, não é mesmo?
.
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
Coringa
Na medida de meu amor por vós
A garra de viver
Existe para que não sofram
Se desequilibro
Mais doce me canta o cano
Prazer espontâneo
De viver por si
Seria mais simples
No reflexo de teu sorriso
Por isso a solidão é tão marcante
Em meio a multidão
Ao contrário da baixa auto-estima
Sarna
![]() |
| pedaço de A expulsão de Adão e Eva do Paraíso, Gustave Doré |
Acho que hoje entendo adão
Há maldição maior que uma coceira eterna
A sarna de ter de encarar o momento
Querendo resumí-lo a uma lembrança
Arbítrio de perceber se consumir aos poucos
Perceba
Os momentos mais felizes raramente são os presentes
Pois quando se vive esse fluxo contíguo
Não se está consciente do desembrulhar
Esse presente
Queremos fugir da cosnciência de viver
Ao passo que queremos boas lembranças
Do que foi vivido
Pouco sabendo de quem realmente somos
A lembrança do que um dia fomos
É o mais vívido
Negando esse andar sobre a balança
Nessa elegante valorização do ser
Mesmo que doente
Emoções que estamos rotineiramente a entulhar
O irrevogável passar tempo tão ambíguo
Na esteira desse matadouro de aflições prementes
Conceda
Seguimos balbuciando significados como loucos
Com estranha centelha de esperança
Buscando fugir do vil conhecimento
De demônios nosso crânio se faz caserna
Volto ao fruto que nos dão
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
A Vida... Aquela
![]() |
| Roberto Kusterle |
- A vida é bela
Pois eu a vi, que bela!
- Não se deixe enganar
Tal beleza já me iludiu
Esplendoroso sorriso
De sádico coração
A vida é uma puta
E cobra caro
Por um pouco
De emoção
- Mas meu caro
A vida é uma disputa
A vida é curta
Curta a vida
Pois é bela
E não há desculpa
- Veja bem
A beleza é um dos anjos mais cruéis
Nos tira a defesa
nos faz acreditar na pureza
Que é breve,
enquanto nos faz pulsar
A vida é longa,
com brevidades no caminho
Conquiste suas próprias belezas,
mas as cultive sozinho
Pois a beleza nos é indissociável
Um lapidar do olhar de nossas almas
um recorte em cada fatia
Como o amor que sentimentos
Mesmo sofrendo
por essa vadia
(...)
Trecho de um freestyle; Coautoria:
Rafael Levi & Giovana Arantes
2014
-
quarta-feira, 27 de julho de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Esvaindo
![]() |
| Skool daze - Paul Brown |
Algo se perdeu no cam nho
D s átomos que um d a fui
Não me s bram nem mes o um
O que me co stituia, fazia-se pleno
N entanto ag ra me perco s reno
Simpl smente nã sei quem e a ou
Quem s u; qual camin o seguir
Ou o qu rec perar do q e sobr u
Sinto-m esv indo, sem dei ar traç
Logo ser i po co, um des mbar ço
Men s d q e s u, me os do que fu
V z u, sem s bstâ cia, s m pal vr s
P rdi o no q nu ca f i, e no q e n o ser i
At ão s r ma s n d
S é u m d a f i
.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Adição
![]() |
| Temples #2 - Robert Gaudette |
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Breve
![]() |
| "Forgetting Is the Only Continuum"- David Regen; foto por Mel Bochner's, Gladstone Gallery |
sexta-feira, 24 de julho de 2015
Sabores
![]() |
| Original: Sushi Mermaid, por Roberta Oriano |
Sempre tive gosto pela culinária japonesa
Porém teu sabor ampliou meu paladar
Despertou-me sensações jamais sentidas
É de toda completa, deveras equilibrada
De apreço estético na apresentação
Leve de se provar, com suave crocância
Tuas poucas palavras são al dente
Recheadas com emulsão de sinceridade
Acompanhadas de suculentos beijos
Temperado nos mais belos toques
Poderia apostar que jogaram a receita fora
Absolutamente única em sua composição
No encontro de nossos paladares
Harmonizamos perfeitamente
.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Azedume
No dia que entreguei meu coração
Mostrei meus dentes afiados
Não se deve dar um presente
Com receios amargos
Ao invés de um doce sorriso
Errei por deixar um tom azedo
Contradizendo meu próprio sentir
Me entregando de súbito ao medo
O sorriso que me encanta
Roubei sem o menor zelo
Comportamento que me espanta
Não pretendendo voltar fazê-lo
A covardia nos transforma
Nos faz correr riscos sem benefícios
Corrompendo a forma sem sacrifícios
Por entre os rabiscos desse paraíso
Quase acabei com o encanto
Porém uma coisa garanto
Com minhas dúvidas, terei mais juízo
Já não só acho
E sei que é tanto
.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Têmpera
![]() |
| Embrace Impermanence - The Pier Group (for Burning Man festival) |
Só a paixão para tal
de tão rígido
converto-me em líquido
metal abrasado
por tua incandescência
Quero ser
o que tu desejares
dentro daquilo que
já sou
Não, não mudo
por nada, por tudo
mas sou muitos
muitas palavras
Me compres
e escolha o produto
que mais lhe agrada
no mercado de minhas
complexidades
Entre meios
sou caminhos
potencialidades
sou escolhas
maquiavelicamente
tendo a ti
como fins
pois
Tu justificas
tudo aquilo
que posso ser
Minha desculpa perfeita
meu combustível ideal
.
terça-feira, 14 de abril de 2015
Disruptura
![]() |
| Feeling Material - Antony Gormley |
Momento catártico, libertação,
No voo, no vou, apesar do fui
sangria que é a alma.
Se é que há'uma
Quando já não nos importamos
com nossa própria estranheza
perante nós mesmos. O mesmo.
Mergulho sem fim
enfim
Mais bela âncora de chumbo
Adentramos uma nova atmosfera
acelerando segundo por segundo
Estrela cadente
ardendo na chama da vontade;
à vontade
Transformamo-nos
ainda mais singulares
em uma cadência vibrante
até alcançarmos
a verdadeira essência;
Insistência
Num distanciamento
da realidade em cimento
nos coroamos mais reais
do que as ilusões de realidades
mais verdadeiras.
Peculiares;
Perdemos o tato com os códigos,
sujando as mãos com o construto
de uma nova codificação.
Do alto da montanha, somos lunáticos
dançando ao ritmo de uma música
que ninguém mais houve
até que os façamos ouvir
para que se faça haver
entre o autêntico e o louco
Assumindo sua inexistência
do que fora, de fora;
o que virá a ser,
de nosso
ser
Eterna prática
de uma existência
essa ciência
poética
para além das próprias
fronteiras
há quem?
para aquém
de si?
.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
quinta-feira, 26 de março de 2015
Idiossincrasia humana
sentir
por que,
me sinto verdadeiro
na mAis ardilosa mentira?
não há transparência maior
que o cinisMo
as maiores falsidades
são: educação e bondade
não choramos por sentir
mas pAra que não saibam
que não sentimos
persistimos disfaRçando
verdades que ambos sabemos
amenizando as dores do jogo
organizando o caos
caos
pintando o ruído
com sons aritmÉticos, éticos
nessa lúdiCa guerra de realidades
todos sabem a verdade
ignorância nada mais é
que o deliberadO ato
de ignorá-la
nos iMpor através de inverdades
a hipocirisia é um dos mais belos
atos de humanidadE
assumí-la, quebra toda a magia
então eu minto
minto que sou hipócRita
sendo o mais honesto
em minha hipoCrisia
entende?
não
não estou ficando louco
talvez você que delire
com o conceitO de sanidade
arranhe a luz para se fazer ouvir
de som opaCo e nenhuma textura
sem os sabores brilhantes
ou o cheiro do sol
nesse quarto vazio
ecÔo
acolchoado pelo colo dos anjos
não ouve as vozes
não percebe os gritos
não vê as sombras
na verdade você nem existe
já te falei sobre a verdade?
.
terça-feira, 10 de março de 2015
Leviatã
não quero, de modo algum
aquilo que é teu
mas me dói
não chegar nem perto
do que te sobra
quem dera ficasse
nem que fosse com os
restos
as vezes me consome
não entender
porque não mereço
o que me faz insuficiente
não o bastante
incompetente
antes fosse
só a migalha do pão
vejo farelo por toda parte
de corações
lhe sobram oportunidades
materiais
afetivas
as significativas
ainda assim
me dignifico a dar-lhe
tudo aquilo que me falta
sem ter sequer esperança
de algo em troca
meus olhos erguem-se
e vejo uma longa cadeia
acima de ti, olhas
para outros
com olhos tão verdes
quanto os meus
então me vêm a consciência
de que abaixo
há um mar de olhos
a me fitar
.














