sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Amnésia



Não me lembro de mais nada.

Te esqueci completamente.

Não lembro mais das tuas qualidades, tampouco lembro dos seus defeitos. Não lembro daquilo que te irritava, sequer lembro do que gostava. Não lembro como se comportava, nem da forma como pensava. Não lembro mais das cores de esmalte que mais gostava, das roupas que mais usava ou do chinelo que adorava. Não lembro do que odiava em si mesma, ou como tua aparência, apesar de te incomodar, me fascinava. Não lembro das tuas inseguranças, nem da tua timidez, tampouco da tua risada.

Esqueci do calor do seu corpo e de tuas bochechas coradas.

Não lembro da música que te fazia sorrir, nem da série que acompanhava. Não lembro do seu animal de pelúcia favorito, não lembrou do seu autor predileto ou do filme que amava. Não faço mais ideia de qual chá que gostava, ou que receita fazia bem na cozinha. Não lembro a forma como me olhava, nem seu peso sobre meu peito. Não lembro da tua voz, tampouco da forma do seu sorriso. Não lembro como teu anima de estiação te alegrava, não lembro do seu jeito criança nem da tua forma de ser desajeitada.

Esqueci do seu cheiro e esqueci do seu sabor.

Não lembro mais dos nossos momentos, sequer quanto te amava. Não me lembro dos presentes que me dera, nem das carícias com as quais me agraciava. Não lembro dos meus erros, muito menos de minhas promessas abandonadas. Não lembro do seu corpo, não lembro do seu toque, não lembro do seu sexo, muito menos se era por mim apaixonada. Não lembro das tuas cicatrizes do passado, tampouco das tuas histórias e mágoas. Não lembro do seu quarto, da cor do seu lençol ou como tuas roupas ficavam dobradas.

Esqueci do seu abraço e esqueci do toque de seus lábios.

Não lembro mais de seus segredos, nem de tuas decepções ou amores anteriores. Não lembro como me preocupava, do quanto me desculpava ou das coisas que dizia. Não me lembro do quanto achava que éramos perfeitos um para o outro, sequer em como não aguentei a pressão e estraguei tudo. Não lembro dos meus temores, das tuas angústias nem de nossas discussões. Não lembro do quanto te decepcionei ou dos insultos que recebi. Não lembro do quanto sofri, tampouco do quanto te fiz sofrer.

Esqueci de meus atos imaturos e de tuas infantilidades.

Não lembro.

...

Confuso em meio a fragmentos desconexos de memórias que nunca me deixaram. Me sinto perdido e sem mapa ou bússola para me direcionar. Tropeço em sensações que nem sei de onde vieram, emoções que brotam do solo sem sentido aparente. Sigo vagando sem rumo, morando em mim mesmo sem endereço.
Procurando algo que um dia foi você, o esquecimento me livra da falsa presença, mas me mantém lembrando da ausência sem falta.

Mas esqueço, esqueço e re-esqueço.

Esse esquecimento que me afeta... e eu nem lembro o porquê.

Não lembro nem que é por você.

  

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