quinta-feira, 10 de julho de 2014

Pérola Lunar

Enrapture - Audrey Kawasaki


Vaguei por tempos ao mar, perdido a esmo
Após um naufrágio me vi esquecido de mim mesmo
Numa ilha deserta fazendo das sombras abrigo
Até no horizonte avistar um barco amigo

Foram dias cruéis à deriva, sem norte
Enfrentamos muitas ondas e vento forte
Em um descuido, me vi novamente ao mar
A cristalina água iluminada, brilhava ao luar

Fui parar em meio a rochedos sinuosos
Então a observei pentear seus cabelos sedosos
Em meio aos tenebrosos mares do oriente,
Havia encontrado uma sereia sorridente

Sem falara nada olhou no fundo de meus olhos
À volta de tal belo ser, se vêem apenas espólios
Seu sorriso me convida e mergulho novamente
Finalmente ouço seu canto, me deixando dormente

Me hipnotiza devagar com seu doce charme natural
Seus olhos esguios me convidam à profundeza abissal
A sigo como que puxado pela correnteza da morte
Começo a crer que me fora um arroubo de sorte

Seria novamente um jogo de luzes da lua?
Para que me engane e meus sonhos destrua
Já envolto em breu, longe das luzes pálidas
Percebo as águas cada vez mais álgidas

Tola tentativa, desejo o gosto de teus lábios
Meus anseios nunca foram dos mais sábios
Olhando a minha volta, percebo uma centelha tímida
Em meio a escuridão encontro uma beleza reprimida

Subo vagarosamente, para que a pressão não me mate
Encontro a nau, recebendo-me com devido resgate
Os rochedos vão ficando ao longe e os perco de vista
Mas guardo a pérola comigo, para que o desejo resista

  

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