quinta-feira, 26 de março de 2015

Idiossincrasia humana


amar faz todo sentido

sentir

por que,
me sinto verdadeiro
na mAis ardilosa mentira?
não há transparência maior
que o cinisMo
as maiores falsidades
são: educação e bondade
não choramos por sentir
mas pAra que não saibam
que não sentimos
persistimos disfaRçando
verdades que ambos sabemos
amenizando as dores do jogo
organizando o caos
caos
pintando o ruído
com sons aritmÉticos, éticos
nessa lúdiCa guerra de realidades
todos sabem a verdade
ignorância nada mais é
que o deliberadO ato
de ignorá-la
nos iMpor através de inverdades
a hipocirisia é um dos mais belos
atos de humanidadE
assumí-la, quebra toda a magia
então eu minto
minto que sou hipócRita
sendo o mais honesto
em minha hipoCrisia
entende?
não
não estou ficando louco
talvez você que delire
com o conceitO de sanidade
arranhe a luz para se fazer ouvir
de som opaCo e nenhuma textura
sem os sabores brilhantes
ou o cheiro do sol
nesse quarto vazio
ecÔo
acolchoado pelo colo dos anjos
não ouve as vozes
não percebe os gritos
não vê as sombras
na verdade você nem existe

já te falei sobre a verdade?


.

terça-feira, 10 de março de 2015

Leviatã


não quero, de modo algum
aquilo que é teu
mas me dói
não chegar nem perto
do que te sobra
quem dera ficasse
nem que fosse com os
restos

as vezes me consome
não entender
porque não mereço

o que me faz insuficiente
não o bastante
incompetente

antes fosse
só a migalha do pão
vejo farelo por toda parte
de corações

lhe sobram oportunidades
materiais
afetivas
as significativas

ainda assim
me dignifico a dar-lhe
tudo aquilo que me falta
sem ter sequer esperança
de algo em troca

meus olhos erguem-se
e vejo uma longa cadeia
acima de ti, olhas
para outros
com olhos tão verdes
quanto os meus

então me vêm a consciência
de que abaixo
há um mar de olhos
a me fitar

.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Arte em pó



Por vezes é estúpido
investir tempo em poesia

Como carpideiras da vida
que ignoram
a própria entropia

Como jogar perfume
na correnteza de um riacho
Um ato de insana beleza
e trágica efemeridade

Mas os poetas
são o inútil brilhar
de estrelas em um céu
onde a escuridão
sempre vence

.

quarta-feira, 4 de março de 2015

A Náusea

Great storm in the Downs by Frederick Whymper

Sartre foi sábio em assim definir tal conflito existencial. Esse enjoo de si mesmo, perda do tato e intelecto embrulhado. Uma maresia moral proveniente do balanço do mundo. Dos mundos, internos e externos. Eco de um âmago ulcerado, ainda não supurado. Vontade de se esvair em vômito o vazio que há dentro.
Talvez os caminhos da mente sejam traçados em mares revoltos, por naus que, quando sortudas, aportam e lá ficam. Vida em alto mar facilmente leva a ruína. Perda do norte. Naufrágio em seguida.
- Mas que ansiedade! É só o balanço do mar. Pior seria, se balanço não houvesse. De nada serve prumo, sem vento na vela.
- Este é o problema! Não o há; e esse balanço do mar, a nenhum lugar nos levará.
- Ao menos já passou a tempestade.
- Ou ainda está para chegar.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Escripta



Confeso
talvez o simplez
seja demaziado complicado
mudar por mudar
ou intervir no fato

confeso qe falo
ajo sem saber
e qem sabe?
mas só axo
qe devia ser
maiz fásil

se az palvraz fluisem
como se julga natural
deveriam então
ser diretaz
sem titubear

é lindo complicar
elitizmo ama dificuldade
poiz só com ela
pode se diferensiar

levantar a bandeira
do serto ou errado
quando não se pauta
na maiz pura lójica
se tem apenaz
uma arbitrariedade
do maiz simplez poder
o poder da linguajem

poder este
qe marjeia
a realidade
bloco por bloco
vogal por vogal
diresionando o olhar
construindo a persepsão

real é só aqilo do qual
não se pode fujir

todo resto
são códigoz

az pesoaz se perdem
naz impermanênsiaz

Talvez incomode, tentar mudar
pensam ser preguiça de aprenhender
ou pura perda de tempo
apenas mais um joguete

parecem nunca questionar
a realidade que lhes fora
montada
uma phorma de ver o mundo
que há muito o precede
pré-fabricada

assusta ver o mundo
por outra perspectiva
ainda mais
quando a construção da própria
fora assim, tão dolorida

Mal sabem que antes não era assim
a tão bela orthographia
num abysmo de desconhecimento
desse enorme paiz, Brazil

a esthetica graphica
fora por deveras differente
entretanto quem somos nós
para levar tal assunto
tão a sério

deixemos que a língua portugueza
siga e permaneça
esse eterno mysterio

.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Insatisfeito

Troublemaker - Nick Ray McCann


Já fazem meses desde a fissura latente, mas não lhe darei os créditos por roubar o meu sentir. Algo deu muito errado no processo que me formou. Me tornei casca grossa.

Nada me cansa o suficiente, não costumo suar. Pareço ter uma resistência a dor fora do comum, é o que me disseram quando arranquei os quatro sisos de uma vez. Nunca chorei por um livro, ou um filme de romance ou drama. Na procura por uma crença, me tornei cético e perdi todos os medos que nos tornam humanos, o diabo está de prova. No primeiro gole inocente de um uísque dos fortes, sequer fiz careta. Já dormi dias no chão, passei dias sem comer, ou mesmo dormir.
E nada. Vivo como uma alma penada.

E você está ai, vívida. Não consigo entendê-la. Como pode viver esse cinismo hedonista? Esse brilho eterno de uma mente sem lembranças.
Não que eu não chore, não me emocione ou viva. Já me perdi em sentimentos demais, geralmente se manifestam em fixações obsessivas. Mas não mais. Agora nada satisfaz.
Uma lágrima escorre pelo hematoma roxo amarelado na maça do rosto.
E nada sinto.

Seu corpo em exercício intenso, tornam sua alva pele em um rubro manchado. Tão delicado quanto uma gema sangrenta, fluindo misteriosamente. Quase como uma reação alérgica ao prazer, ou a dor.
Faço um corte superficial, deixando deslizar o rubro néctar.
E nada sinto.

Seu olhar sempre fora pura fúria, ou total indiferença. Até mesmo seu amor, era uma manifestação da sua odiosa natureza. E seu perdão, parte do seu rotineiro desprezo.
Com um corte mais firme retiro a pele tal como a manga de uma camiseta, deixando a carne exposta em toda sua majestosa viscosidade.
E nada sinto.

Sua voz, macia feito um coração de alcachofra, é repugnante sem o tempero de suas emoções mais intensas. Sempre me arrepiou.
A cada peça de músculo que removo, misturada com ligamentos expõe os nervos, que traduzem como eu sempre me senti. Exposto, sensível.
Sensível como meu sexo, lhe usando a meu bel prazer, enquanto toco sua carne tenra.
E nada sinto.

Engulo, pouco a pouco, o sabor do seu pecado, assim como sempre engoli suas ofensas. Praticamente um esqueleto convulsivo. Já não parecemos tão diferentes. As tripas não possuem a assinatura de sua personalidade e fica difícil ouvir seus gritos enquanto se engasga em sangue.
E nada sinto.

De estômago cheio, me sinto igualmente vazio e não alcancei satisfação alguma. Simplesmente não consigo sentir, talvez seja melhor assim. Talvez você seja a culpada, mas então estamos quites. Aposto que não lhe sobrou muito...
o que sentir.

Sinto muito.

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Lúcifer romântico

The Flesh of Fallen Angel by Straightgunner


O quadro clássico daqueles em estado depressivo em muitas vezes, é um problema de desajuste. Do não pertencimento à sociedade, o que metaforicamente seria estar longe de deus. Não incomumente acabam por seguir caminhos opostos ao da voz do povo. Seja por serem mais inteligentes, mais burros, enxergarem o mundo com mais clareza ou ruido. Perspectiva.

Infelizmente a alma humana possui suas necessidades, e há em sua natureza a necessidade de pertencer. Fazer parte, conectar. Aqueles perdidos, desajustados e desencaixados; descrentes de quase tudo no mundo, acabam muitas vezes depositando sua fé em um pertencer mais minimalista. Com a dificuldade de se encaixar em toda a trama de exigências e expectativas da sociedade, tais almas perturbadas acabam por escolher se encaixar, pura e simplesmente, com um único ser. Os malditos românticos.

As conexões acabam por ser desnecessariamente forte demais, assim como a esperança por aquele que o compreenderá plenamente se torna um pensamento recorrente. Alguns encontram felicidade através dessa prática, muitas vezes não por muito tempo, porém esse é o caminho mais difícil e muitos sobram nessa estrada sem mapa. No fim, talvez seja pior depositar suas esperanças em pessoas do que em ideias, por mais que elas sejam tangíveis e reais, diferentemente das ideias. Justamente por serem reais, estão sujeitas ao tempo, à mudança e a morte. E nesse platonismo, acaba por se esperar a materialização de uma ideia em uma pessoa. Que seu verbo se faça carne e te livre de seus pecados.

Your own personal jesus, someone to hear your prayers, someone who cares.

No fim, o sistema de funcionamento da máquina humana se mantém, e o desajustado acaba por aumentar sua distância da sociedade, o paraíso de onde poderia surgir seu redentor, com a qual precisa se lançar para barganhar relações, a fim de encontrar A pessoa. Deixando-o a encarar o abismo mental que se formou entre sua insatisfação e a realidade. Entre o que as pessoas podem lhe oferecer e os anseios mais profundos de seu coração. E não há cura para o desajuste, ele acontece naturalmente. E sobra ao desajustado seguir sua natureza e tentar conquistar suas expectativas sem nenhuma bênção para ajudá-lo.

É solitário andar à sombra de deus.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Possuída



Dançamos.

Te trago a minha terra, entre o fogo daqueles iguais a tu. E dançamos. De corpos colados em movimentos firmes, dançamos com postura, com precisão. Te conduzo por movimentos suaves e bruscos, ao ritmo dos estalos da chama. O piano toca sozinho e o baixo acompanha. Lá em baixo estamos. A curiosidade te trouxeste aqui, e não se arrependes. De face colada uma a outra dançamos segurando cada qual uma ponta de uma lâmina. A gilete entre nossos dentes dão o clima da tensão. Não podemos errar os passos, não podemos largar até que a música acabe.

Ao som da última nota tu sorris, soltando a lâmina, que então brinco com minha língua. Em um giro de bailarina percebes que nos encontramos em teu quarto. As cortinas estão em chamas, o papel de parede queima como embrulho de presente, daquele seu natal perdido. Da janela aberta se vê apenas o breu absoluto de uma madrugada coberta pelo véu da fumaça. O calor do quarto disfarça até a frieza de meu sangue sob a pele ardente. Sem demora as paredes já são barreiras de fogo incandescente, produzindo um manto negro que flui pelo teto. Não é pelo calor, mas já estás derretida. Deitada, observa com olhar sonolento enquanto manejo a lâmina com precisos cortes, deixando-a nua.

Jogando a lâmina de lado, escorrego meu corpo até meus lábios tocarem os teus. Com o peso do meu corpo sobre o teu e minhas mãos te envolvendo, já estás totalmente entregue a possessão. Que se dá lentamente, enquanto meus lábios tocam todo o seu corpo, parte por parte. Logo, em minhas mãos se encontra uma corda negra e teus olhos brilham. Peço que fique de joelhos. A textura áspera da corda desliza suavemente sobre corpo, dando voltas e pressionando pontos específicos. Te deito de costos para cima, e intercalando entre beijos e mordidas, prendo tuas mãos e pés. Totalmente subjugada, agora estás pingando; não só de suor.

Te meço e avalio, com uma vara de cane em mãos. Tua alma possui muitos pecados para expurgar, e como um caído, servirei devidamente à meu propósito. O primeiro acoite é bem forte, aproveitando enquanto não está com a carne dormente. Os golpes subsequentes distribuem bem a dor, por toda a tua bunda. As marcas ficam evidentes e sua virilha se mantém contraindo pedindo pelo alívio. Sentes seu cabelo ser puxado, ao mesmo passo que algo desliza para dentro de ti. Uma lágrima de alívio e prazer lhe escorre pela maçã do rosto, segue pela mandíbula e desliza pelo pescoço. Dedos firmes envolvem seu pescoço enquanto sentes impactos rítmicos no quadril. As beiras da cama começam a pegar fogo, mas é em ti que arde algo. Teu quadril se mexe involuntariamente, tua coluna se contrai e uma explosão de prazer te deixa a ter contrações por todo o corpo.

Nos noticiários do dia seguinte foi anunciado um estranho caso de combustão espontânea.

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domingo, 5 de outubro de 2014

Careless



"I wish I could be your secret angel,
insivible guardian, nameless protector.
But I can't even take care of myself."

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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Vicarius



Toda pessoa que sofre,
é um mártir do nosso prazer
Não finjamos que não,
tendo consciência do que é ser

O sangue do inferno
adoça os frutos do céu
Do crime da existência
somos todos um só réu

Cada sopro de vida
é a morte do verbo proferido
Um corte no tempo
e no espaço do corpo sentido

Cada instante é provar
do sexo da entropia
Beijo vampírico da morte
no sangue vicia

Das grandes narrativas
se tiram nada mais
do que períodos
de um prolongado
fim

Num recorte de tempo
Enquadrado momento
de como se dá
essa troca
enfim

Ato de sobreviver
apenas ossos do ofício

Esse tão belo,
vívido e pleno

sacrifício

.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

(Co|A)mplexo

Embrace - Emily Burtner


meu coração dissimulado
implode
com medo de te assustar
com sua intensidade

no desencontro de nossas línguas
troco palavras
desvio versos

de eufemismo em eufemismo
alivio o peso da sensação que me causa
a cada verbo, uma pausa

digo que te achei legal
te chamo apenas de fofa
falo de forte interesse
intensa curiosidade

convenço que só quero te ver
simplesmente nos conhecer
somente sentir teu corpo

então disfarço
que ao seu toque
me desfaço

te olho nos olhos e fica claro
não enganamos ninguém
a não ser nós mesmos

e nesse conto de realidade
assumimos não existir
essa química que nos deixa perdidos
sem graças na troca de sorrisos

negando

que cada longo segundo daquele abraço
não é nada de mais
apesar de ser justamente a vontade
de não largar jamais

.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Pó

Pôr do sol entre as montanhas, à beira do abismo - Rafael Levi

o terrível desejo alheio
de futuros impossíveis
e passados inexistentes
memórias de momentos prefeitos
por mais imperfeitos que foram
se é que foram momentos

não é o abismo
é você
não adianta esperar
que o infinito vá te olhar
enquanto os grãos morrem
um por um

se mordendo de expectativa
os dentes da engrenagem
giram sem se alinhar
tal qual lava secando
sem nunca encontrar a água
amores líquidos
de metal derretido

mecanismos perfeitos
jamais montados
acumulam ferrugem e teias
exigência da imperfeição
corroendo o não natural
barro disforme ultrajado
consumidor de sonhos


criação anímica humana

terra levará as ilusões construídas
para as profundezas da incerteza
de onde brotam
quaisquer sonhos

afinal

.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O universo numa casca de nós



cá estamos
abismo do medo
estrelado na beleza do cosmo
cortado por pontes
de promessas nunca feitas

com o sopro do vento
recebemos diversos sinais do destino
para não temer tal precipício assassino

constantemente esquecemos de nossas asas
talvez por conta das quedas
e das penas cortadas

ficamos nos olhando
pois não podemos ver a nós mesmos

qualquer risco é cego
qualquer tentativa um risco
e qualquer olhar uma tentativa

sabemos bem,
talvez por pura intuição
que entre nós
rapidamente
tudo mudaria de proporção

somos filhos da lua
sendo fácil perceber em nós o vosso brilho
mas nossa carne é feita de passado
e nossa alma de futuros perdidos

não é química, chega a ser física quântica
só de experimentar alteraria seu significado
é um estar; não estando
o infinito da brevidade de um segundo
lapso momentâneo de intensa eternidade

de tanta perfeição
não provamos nem um laço
ao menos pudesse
sentir teu abraço

esqueça a irreconciliável leveza
somos seres pesados
procuramos pesos grandes demais
para se carregar planando

por mais que nosso horizonte
seja bem desenhado
e nosso panorama
linearmente plano

de pés no chão
e cabeça nas nuvens

com solidez almejando o imperecível
somos seres de outro nível de façanha
de coração suave e breve
tal qual uma montanha

.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Talvez



na incerteza o ar me esvai
uma vez mais
desconhecidas intenções
desejos e pulsões
habitando ainda uma tolice
a esperança
sentindo o vento do inverno
e o frio no coração
me desperta a vontade
um querer ser mais forte
olhos de tigre
presas afiadas
uma vez mais em mata fechada
entre presa e predador
não era para ser um jogo
grita com pureza
a fragilidade
algo dentro de mim
ou o barulho na mata
dois lobos se encaram
o conflito existe?
dentro ou fora?
qualquer ruído se intensifica
no silêncio

.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Appenas



Vejo possibilidades
no pequeno espelho negro
na palma de minha mão
Ou talvez
ilusões perdidas
de saudosos futuros
Dos quais já sinto
saudades

...

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Reticência

Moorland ridge sky - Tristan Campbell


As vezes, simplesmente me sinto distante
do que acontece dentro de mim
Como quem está no estrangeiro
sem comunicação com o país natal

Não sei se está uma guerra, ou harmonia

Apenas um eco distante da saudade de mim mesmo
um pouco de proveito do frescor dos novos momentos

Algo entre uma resignação com o passado
e reconciliação com o futuro

Mantendo a presença da sombra do medo,
da tensão do conflito constante

Ao longe trovões de tempos fechados
Antes da tempestade, a calmaria

No palco vazio, esqueci o papel que deveria atuar
Entre o medo de errar e a liberdade de improvisar,
fica a expectativa silenciosa da quarta parede.
De bocas seladas, todos são meus olhos

E não sei o que esperar de mim mesmo

...
 
    

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Revolver



Ergo sum.

Seria uma noite comum, seria uma noite qualquer.

Fui ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes antes de dormir, quando me deparo com o estranho do outro lado da lâmina com uma camada de amálgama de estanho. O desgraçado me olhava com desprezo tendo o cano de uma Walther P22, alongado com um silenciador, apontado para minha cara. Óbvio que olhei para trás e não tinha ninguém, mas não havia como, eu o via a minha frente. Sua postura era completamente outra e esbanjava um sorriso malicioso no rosto.  Sua camisa preta dobrada até os cotovelos passava uma elegância agressiva e seu cabelo arrepiado com pasta definia sua aura orgulhosa.

Perguntei o que ele queria, não obtive resposta.

Eu sabia o que ele queria. Ali, curvado lavando o rosto e me olhando de baixo para cima. Sequer para se levantar e me encarar nos olhos, me confrontar. De braço estendido o encaro nos olhos profundos e frágeis. Pediria para virar homem, se ao menos isso fosse capaz. Apenas esperava algo acontecer enquanto a água lhe escorria do rosto. Passivo. Reativo, como um pequeno animal. Não seria fácil fazê-lo, mas tinha de ser feito. De cabelo ensebados e espinhas estouradas seu rosto agora demonstrava o pavor que escondia, e em segundos já havia perdido o controle. Entre súplicas veio o desespero, quebrando tudo e tentando despedaçar a fina camada de vidro que nos distanciava.

Um baque. Os cacos de vidro caem lentamente. Um tiro. Da visão fragmentada vejo-o deitado do outro lado. Está feito, guardo a arma, estalo os dedos e o pescoço.

Depois arrumo esta bagunça.

  

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Paradise Lost



here lost with my thoughts
while my coffee is getting cold
I catch myself reflecting
how I was used to
think
how things never go right
at the same time
but remembering about the past
I've lived in this eden

well ...

at least I was feeling like that,
yet there is no perfection ...
Eva was unhappy
and I was the one to blame
then
I rejected all that divinity.
I've fell for my own choice
made a path through the fire
got problems with my black feathers,
always

maybe we just don't fit to the paradise
we make for ourselves
or maybe I just wasn't brave enough
to deal with my own happiness
although
nothing really changes
and that heavenly place is still there
in the same place it were before
inside my delusions
only

"that’s what I get for kicking
religion in the ass"
but I kicked the redhead too
we get what we deserve...
...no
it's all about what we can achieve
the sky was just too much for me
and found no pleasure in the underworld
isn't that where we supose to be?
after all
between heaven and hell
there will always be much more things wrong
than just
Melancholia

  

domingo, 13 de julho de 2014

Expresso



"Se ao menos lessem
tudo que não escrevo
tanto quanto ouço
o que não dizem..."