domingo, 5 de outubro de 2014
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Vicarius
Toda pessoa que sofre,
é um mártir do nosso prazer
Não finjamos que não,
tendo consciência do que é ser
O sangue do inferno
adoça os frutos do céu
Do crime da existência
somos todos um só réu
Cada sopro de vida
é a morte do verbo proferido
Um corte no tempo
e no espaço do corpo sentido
Cada instante é provar
do sexo da entropia
Beijo vampírico da morte
no sangue vicia
Das grandes narrativas
se tiram nada mais
do que períodos
de um prolongado
fim
Num recorte de tempo
Enquadrado momento
de como se dá
essa troca
enfim
Ato de sobreviver
apenas ossos do ofício
Esse tão belo,
vívido e pleno
sacrifício
.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
(Co|A)mplexo
![]() |
| Embrace - Emily Burtner |
meu coração dissimulado
implode
com medo de te assustar
com sua intensidade
no desencontro de nossas línguas
troco palavras
desvio versos
de eufemismo em eufemismo
alivio o peso da sensação que me causa
a cada verbo, uma pausa
digo que te achei legal
te chamo apenas de fofa
falo de forte interesse
intensa curiosidade
convenço que só quero te ver
simplesmente nos conhecer
somente sentir teu corpo
então disfarço
que ao seu toque
me desfaço
te olho nos olhos e fica claro
não enganamos ninguém
a não ser nós mesmos
e nesse conto de realidade
assumimos não existir
essa química que nos deixa perdidos
sem graças na troca de sorrisos
negando
que cada longo segundo daquele abraço
não é nada de mais
apesar de ser justamente a vontade
de não largar jamais
.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Pó
![]() |
| Pôr do sol entre as montanhas, à beira do abismo - Rafael Levi |
o terrível desejo alheio
de futuros impossíveis
e passados inexistentes
memórias de momentos prefeitos
por mais imperfeitos que foram
se é que foram momentos
não é o abismo
é você
não adianta esperar
que o infinito vá te olhar
enquanto os grãos morrem
um por um
se mordendo de expectativa
os dentes da engrenagem
giram sem se alinhar
tal qual lava secando
sem nunca encontrar a água
amores líquidos
de metal derretido
mecanismos perfeitos
jamais montados
acumulam ferrugem e teias
exigência da imperfeição
corroendo o não natural
barro disforme ultrajado
consumidor de sonhos
criação anímica humana
terra levará as ilusões construídas
para as profundezas da incerteza
de onde brotam
quaisquer sonhos
afinal
.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
O universo numa casca de nós
cá estamos
abismo do medo
estrelado na beleza do cosmo
cortado por pontes
de promessas nunca feitas
com o sopro do vento
recebemos diversos sinais do destino
para não temer tal precipício assassino
constantemente esquecemos de nossas asas
talvez por conta das quedas
e das penas cortadas
ficamos nos olhando
pois não podemos ver a nós mesmos
qualquer risco é cego
qualquer tentativa um risco
e qualquer olhar uma tentativa
sabemos bem,
talvez por pura intuição
que entre nós
rapidamente
tudo mudaria de proporção
somos filhos da lua
sendo fácil perceber em nós o vosso brilho
mas nossa carne é feita de passado
e nossa alma de futuros perdidos
não é química, chega a ser física quântica
só de experimentar alteraria seu significado
é um estar; não estando
o infinito da brevidade de um segundo
lapso momentâneo de intensa eternidade
de tanta perfeição
não provamos nem um laço
ao menos pudesse
sentir teu abraço
esqueça a irreconciliável leveza
somos seres pesados
procuramos pesos grandes demais
para se carregar planando
por mais que nosso horizonte
seja bem desenhado
e nosso panorama
linearmente plano
de pés no chão
e cabeça nas nuvens
com solidez almejando o imperecível
somos seres de outro nível de façanha
de coração suave e breve
tal qual uma montanha
.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Talvez
na incerteza o ar me esvai
uma vez mais
desconhecidas intenções
desejos e pulsões
habitando ainda uma tolice
a esperança
sentindo o vento do inverno
e o frio no coração
me desperta a vontade
um querer ser mais forte
olhos de tigre
presas afiadas
uma vez mais em mata fechada
entre presa e predador
não era para ser um jogo
grita com pureza
a fragilidade
algo dentro de mim
ou o barulho na mata
dois lobos se encaram
o conflito existe?
dentro ou fora?
qualquer ruído se intensifica
no silêncio
.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Reticência
![]() |
| Moorland ridge sky - Tristan Campbell |
As vezes, simplesmente me sinto distante
do que acontece dentro de mim
Como quem está no estrangeiro
sem comunicação com o país natal
Não sei se está uma guerra, ou harmonia
Apenas um eco distante da saudade de mim mesmo
um pouco de proveito do frescor dos novos momentos
Algo entre uma resignação com o passado
e reconciliação com o futuro
Mantendo a presença da sombra do medo,
da tensão do conflito constante
Ao longe trovões de tempos fechados
Antes da tempestade, a calmaria
No palco vazio, esqueci o papel que deveria atuar
Entre o medo de errar e a liberdade de improvisar,
fica a expectativa silenciosa da quarta parede.
De bocas seladas, todos são meus olhos
E não sei o que esperar de mim mesmo
...
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Revolver
Ergo sum.
Seria uma noite comum, seria uma noite qualquer.
Fui ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes antes de dormir, quando me deparo com o estranho do outro lado da lâmina com uma camada de amálgama de estanho. O desgraçado me olhava com desprezo tendo o cano de uma Walther P22, alongado com um silenciador, apontado para minha cara. Óbvio que olhei para trás e não tinha ninguém, mas não havia como, eu o via a minha frente. Sua postura era completamente outra e esbanjava um sorriso malicioso no rosto. Sua camisa preta dobrada até os cotovelos passava uma elegância agressiva e seu cabelo arrepiado com pasta definia sua aura orgulhosa.
Perguntei o que ele queria, não obtive resposta.
Eu sabia o que ele queria. Ali, curvado lavando o rosto e me olhando de baixo para cima. Sequer para se levantar e me encarar nos olhos, me confrontar. De braço estendido o encaro nos olhos profundos e frágeis. Pediria para virar homem, se ao menos isso fosse capaz. Apenas esperava algo acontecer enquanto a água lhe escorria do rosto. Passivo. Reativo, como um pequeno animal. Não seria fácil fazê-lo, mas tinha de ser feito. De cabelo ensebados e espinhas estouradas seu rosto agora demonstrava o pavor que escondia, e em segundos já havia perdido o controle. Entre súplicas veio o desespero, quebrando tudo e tentando despedaçar a fina camada de vidro que nos distanciava.
Um baque. Os cacos de vidro caem lentamente. Um tiro. Da visão fragmentada vejo-o deitado do outro lado. Está feito, guardo a arma, estalo os dedos e o pescoço.
Depois arrumo esta bagunça.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Paradise Lost
here lost with my thoughts
while my coffee is getting cold
I catch myself reflecting
how I was used to
think
how things never go right
at the same time
but remembering about the past
I've lived in this eden
well ...
at least I was feeling like that,
yet there is no perfection ...
Eva was unhappy
and I was the one to blame
then
I rejected all that divinity.
I've fell for my own choice
made a path through the fire
got problems with my black feathers,
always
maybe we just don't fit to the paradise
we make for ourselves
or maybe I just wasn't brave enough
to deal with my own happiness
although
nothing really changes
and that heavenly place is still there
in the same place it were before
inside my delusions
only
"that’s what I get for kicking
religion in the ass"
but I kicked the redhead too
we get what we deserve...
...no
it's all about what we can achieve
the sky was just too much for me
and found no pleasure in the underworld
isn't that where we supose to be?
after all
between heaven and hell
there will always be much more things wrong
than just
Melancholia
domingo, 13 de julho de 2014
Cicuta
![]() |
| Desolate Plains Deserted House - Konijntje |
Eu costumava conseguir justificar, achar o que culpar. Conseguia dizer porque me sinto dessa forma. Apontar um acontecimento ou circunstância que me levasse a esse sentimento.
Não consigo mais fingir que existe um porquê, alguém a quem culpar ou algo que possa sanar.
É complicado achar algo que te motive a lutar, quando não consegue mais compreender nada do mundo. Como se tivesse sido criado em uma realidade alternativa, onde nada se aplica. Simplesmente parece que cada pequeno traço de entendimento de mundo é uma grande confusão, um mal entendido.
Passar anos cultivando uma planta para descobrir que era urtiga. Resta apenas o inesgotável desconforto, aquela coceira na alma que você mesmo criou. Não basta apenas o tempo perdido, simplesmente se perde toda perspectiva de recuperá-lo. Não há caminho evidente, nem direção a tomar. É a total falta de sentido. Pra frente. Virou inércia, apenas vai, porque vai.
Costumava cobrar uma justiça divina, um acerto de contas com o karma, a dívida dos hipócritas. O único culpado é quem acredita nessa selva de ideias. Desejamos chorar, cobrar para que seja do jeito que acreditamos, pois já estamos com toda a estrutura montada nesse fundamento movediço. Não há resgate para um ser perdido na floresta da existência. Nada disso é legítimo, nenhuma lágrima é válida, nenhuma compreensão é merecida.
No fim, todos morremos sós.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Pérola Lunar
![]() |
| Enrapture - Audrey Kawasaki |
Vaguei por tempos ao mar, perdido a esmo
Após um naufrágio me vi esquecido de mim mesmo
Numa ilha deserta fazendo das sombras abrigo
Até no horizonte avistar um barco amigo
Foram dias cruéis à deriva, sem norte
Enfrentamos muitas ondas e vento forte
Em um descuido, me vi novamente ao mar
A cristalina água iluminada, brilhava ao luar
Fui parar em meio a rochedos sinuosos
Então a observei pentear seus cabelos sedosos
Em meio aos tenebrosos mares do oriente,
Havia encontrado uma sereia sorridente
Sem falar nada olhou no fundo de meus olhos
À volta de tal belo ser, se vêem apenas espólios
Seu sorriso me convida e mergulho novamente
Finalmente ouço seu canto, me deixando dormente
Me hipnotiza devagar com seu doce charme natural
Seus olhos esguios me convidam à profundeza abissal
A sigo como que puxado pela correnteza da morte
Começo a crer que me fora um arroubo de sorte
Seria novamente um jogo de luzes da lua?
Para que me engane e meus sonhos destrua
Já envolto em breu, longe das luzes pálidas
Percebo as águas cada vez mais álgidas
Tola tentativa, desejo o gosto de teus lábios
Meus anseios nunca foram dos mais sábios
Olhando a minha volta, percebo uma centelha tímida
Em meio a escuridão encontro uma beleza reprimida
Subo vagarosamente, para que a pressão não me mate
Encontro a nau, recebendo-me com devido resgate
Os rochedos vão ficando ao longe e os perco de vista
Mas guardo a pérola comigo, para que o desejo resista
terça-feira, 1 de julho de 2014
i(a)mor.tais
![]() |
| Giardians of Time - Manfred Kielnhofer |
um ode aos que
arbitrariamente persistem
mesmo sem um porquê
racionalizado explicar
tão raros os que
assumem suas apostas
de tão raras respostas
preferem acreditar
insistentes intuitivos
decidem sustentar
apesar da entropia
que afeta o amar
conhecem infinito na
finitude dos momentos
concebem o íntimo na
escolha de se doar
fazem da morte
uma simples distração
um velho relógio
a tiquetaquear
malucos desvairados
enfrentam o medo
da temível queda
que é se entregar
estranhos parentes
de sangue incomum
esquisito reflexo
a nos espelhar
insanos que topam
decididamente aceitam
que se fazem ser
optando por estar
domingo, 22 de junho de 2014
Possessão
Ali estás, parada, distraída. Meu olhar te analisa da cabeça aos pés, mas anseia por um contato visual para dissecar tua alma. E a assim acontece, ao encontro dos meus tu sentes como se estiveste nua. De alguma forma sabes que de mim não escapa nada. Agora a presa tem total noção da perseguição, tal como antílope ao encontrar felinos olhos em meio ao mato seco. Entretanto não corres, se mantém no lugar, congelada; ainda pensando sobre como reagir a tamanha sensação de ser observada. Teu corpo já reage te preparando para ser dominada, sequer pensas em fugir. Não é bem do teu instinto. Ao contrário, escolhe o local do abate, e viras o jogo ao deixar escapar um sutil sorriso no canto da boca, vira de costas e segues andando até um beco escuro. Sabendo que, como uma sombra, estou em teu encalço.
Lá nos encontramos, onde sequer a tênue luz da lua ousa tocar, encarando-nos esperando pelo clímax da caça. Dou alguns passos e retomo o comando. Dedos te ordenam que se aproxime, com um movimento suave, seguido de um comando direto apontando o local a minha frente. Então te vejo caminhar, oscilando suaves movimentos com os quadris a cada passo. Teus olhos de piedade não parecem querer liberdade, já buscas entregar-me toda de uma vez. Ao se aproximar tanto de mim, tu percebes o que antes não vias, chifres curvos por entre os cabelos penteados para trás, assim como dentes um tanto mais pontudos que o normal em meu sorriso que sustenta um cigarro aceso. Agora encontra-te a distância de um sopro, sentindo o cheiro da fumaça que exala de minha boca. Jogo fora o cigarro e toco suavemente teus cabelos longos com meus dedos passando próximos a teu suave rosto. Instintivamente fechas os olhos. Levanto teu queixo com o nó de meu dedo e peço para que abras a boca. Me obedeces como se já houvesse sido previamente treinada. Espera por um presente ou uma confirmação de tua invocação. Me trouxeras pois querias algo. Mulher tão pura e de família cristã, mas cheia de pecado que atraem qualquer demônio. Cuspo em sua boca, e empurro suavemente teu queixo para que feche a boca. Você engole.
O pacto está feito, e agora restaste apenas a ti, sozinha entregue de joelhos com as mãos entre as pernas. Delirando perante a imagem da próxima visita, estás condenada ao que querias, porém não se arrepende.
Havia se entregado há muito tempo atrás.
domingo, 15 de junho de 2014
Trilhos
É impossível transmitir
a poesia que percebo
com o meu olhar
Ainda assim insisto
Para outros olhos
me expressar
Nada significam senão
para quem quer ver
Dentre tantas janelas
para admirar,
poderias a minha escolher
Acreditar talvez em minhas
verdades não ditas?
...
Nem és tu
Na verdade sois vós
É voz
Silenciada e discreta
Ternamente não proferida
E vos não entendo
Também não me ouvistes
Olhares se alinham
uma vez mais
Para se perder sem sentido
Alguma coisa aconteceu
Não será sabido
Alma alguma viu
Morreu no momento
em que o trem
partiu
a poesia que percebo
com o meu olhar
Ainda assim insisto
Para outros olhos
me expressar
Nada significam senão
para quem quer ver
Dentre tantas janelas
para admirar,
poderias a minha escolher
Acreditar talvez em minhas
verdades não ditas?
...
Nem és tu
Na verdade sois vós
É voz
Silenciada e discreta
Ternamente não proferida
E vos não entendo
Também não me ouvistes
Olhares se alinham
uma vez mais
Para se perder sem sentido
Alguma coisa aconteceu
Não será sabido
Alma alguma viu
Morreu no momento
em que o trem
partiu
![]() |
| Foto do acidente de trem em Nidareid, 1921 |
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Doce Quimera
![]() |
| The invisible woman (1940) |
Sonhei novamente contigo
É... tu... que não existes
Trocando de face a cada encontro
Plantando distorcidas esperanças
Já deveria estar acostumado
Com teu jogo envolvente
Mas sempre crias regras novas
Menina dos olhos, cansados
Sonolento desejo de repouso
Daquilo que não encontra descanso
Nebulosa de expectativas inalcançáveis
Tua doce presença é irreal
Tuas visitas passageiras
Deixando um sabor solitário na boca
Você que veio me visitar
É... tu... que não existes
Não possui face, não possui forma
Com nomes dos quais nunca ouvi
Ao acordar já esqueci
Só me sobra cogitar
Se estava ali, se estavas aqui
Se estivesse pelo menos por aí
segunda-feira, 26 de maio de 2014
expertício
teus suaves doces olhos
olarias que sonhos sorvem
sorriem belos para outro
ouro de tolo aos presos
pesos no traço do escorço
curso natural dos teus rios
risos me arrebatando na praia
eu, logo o paria
o padrão da chuva amarela
aquarela colorindo à toa
entoa o som das falas conhecidas
convencidas prosas invertidas
inventadas chances perdidas
pedrada em parede vazia
vacina de febre curada
tu, e tua couraça
os suaves olhos chovem
a cor dos sonhos escorrem
esqueces o som do sorriso
prosa presa do tolo ouriço
traços de linhas perdidas
pedras órfãs do rio trazidas
febre que arrebata com risos
nós, despertise
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Palavras de Ninguém
![]() |
| Stuart Brisley |
Só são adorados os poetas mortos ou distantes
Aqueles os quais não se identifica a fraqueza em si
Mas se abstrai como reflexo daquele que a lê
Somente tocam os corações poesias órfãs
Ao ponto que o autor pouco importa, seja Clarice ou Pessoa
Só vale se identificar com a fragilidade, não o indivíduo
Pois o direito à vulnerabilidade é só nosso ao compreender
Jamais o do outro ao sofrer, e sobre isso sentar e escrever
Só é dado o direito da sensibilidade aos excluídos desalmados
Aos quais se vê o resultado da mais fina arte
E não a humilhante face do fracasso humano
Van Gogh só vale muito depois que não mais incomoda
No fim, a arte é a parte aturável do insuportável artista
Pois com tamanha afronta, ousa demonstrar o omitido
Aquilo que, de fato, todos tentam negar a si mesmos
Afinal, num mundo de mentirosos sobre seus sentimentos
Os descarados verdadeiros devem ser apedrejados
Não se pode levantar suspeita da vulnerabilidade de todos!
Arriscar destruir a frágil máscara da hipocrisia social
Pecadores aqueles que assumem o que tanto escondemos
Num mundo de falsidades, os sinceros são alvos fáceis
E assim se mantém a suave ilusão
De que não há errados
Senão os que assumiram a culpa
De serem humanos
quarta-feira, 12 de março de 2014
A Era do Ruído
Eu sei o que não quero
Não sei onde desencontrar
Eu sei o que não encontro
Não sei o que quero
Não quero sua informação
Feita sob medida para ser demais
Sem nenhum valor agregado
Todos querem se informar
Até não saberem nada
Não quero seu conhecimento
Um sistema que se autoajuda
Soluções fáceis jogadas no irreal
Todos são gurus infames
De sua própria realidade
Não quero a felicidade
Aquela industrializada, enlatada
Com corante artificial
Todos acham que querem
Até provarem do veneno
Eu quero o meu foco
Não quero a sua agenda
Eu quero me organizar
Não sigo seu calendário
Não quero que me entenda
Que possa me definir e me embalar
Separar e classificar
Todos querem fazer parte de algo
Até não saberem o que são
Não quero seu pacote de valores
Na minha prateleira eu faço a seleção
Partido e religião
Todos abraçam o que não sabem
E aceitam o que nunca quiseram
Não quero seguir a unanimidade
A voz de Deus é burra e feroz
Jesus personalizável (vem em três cores diferentes)
Todos se sentem fazendo parte de algo
Por não saberem ser indivíduos
Eu não quero seguir o fácil
Não quero falta de sentido
Eu quero formar o meu próprio
Não sei o que eu quero
Mas eu descubro
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